Carregar o carro elétrico em casa em 2026: custo por 100 km, tarifas e Mobi.E
Quanto custam 100 km com eletricidade de casa, na rede pública e a gasolina, que opção horária escolher, o novo regime Mobi.E e os incentivos do Fundo Ambiental.
Com a gasolina simples 95 a 2,113 euros por litro de média no continente no fim de setembro de 2026, segundo a DGEG, o carro elétrico carregado em casa de noite custa uma fração por quilómetro. Na rede pública rápida a diferença encolhe bastante. E as regras dos carregadores públicos mudaram em 2025, com pagamento por cartão bancário e preços em €/kWh.
Custo por 100 km, com preços de setembro
Suponha um carro compacto que gasta 15 kWh por 100 km (confirme o valor do seu) e um carro a gasolina que gasta 6 litros.
- Gasolina: 6 litros a 2,113 €/l dão cerca de 12,70 euros por 100 km.
- Em casa, bi-horária, no vazio: a tarifa regulada em vigor a partir de 1 de outubro de 2026 cobra 0,1143 €/kWh no vazio, antes de impostos. Com IVA a 23 % (que se aplica acima dos primeiros 200 kWh do mês, onde o carro quase sempre cai), fica em cerca de 0,14 euros. Os 100 km custam perto de 2,10 euros.
- Em casa, tarifa simples: 0,1711 €/kWh antes de impostos, cerca de 0,21 euros com IVA. Os 100 km custam cerca de 3,15 euros.
- Na rede pública: a Zunder cobra 0,59 €/kWh com IVA em toda a sua rede em Portugal. São cerca de 8,85 euros por 100 km. Noutros postos da rede Mobi.E o preço soma o valor do operador do posto, o do comercializador (CEME), as tarifas de acesso às redes, o IEC de 0,001 €/kWh e o IVA.
No mercado livre, os preços são os de cada oferta. Use estes valores como ordem de grandeza e confirme com a sua fatura.
Que opção horária escolher
Para quem carrega em casa, a bi-horária é quase sempre a escolha lógica: o carro desloca para o vazio uma grande parte do consumo total da casa. Hoje, no ciclo diário, o vazio vai das 22:00 às 8:00. Com os novos períodos horários aprovados pela ERSE, passará a ir das 22:30 às 8:30, com a mudança feita entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2027 de forma remota através do contador inteligente. Se programar o carregamento, não se esqueça de acertar a hora nessa altura.
Confirme também a potência contratada. Um carregador de 7,4 kW numa casa com 6,9 kVA obriga a limitar a potência de carga ou a subir de escalão. Muitos carregadores têm gestão dinâmica que baixa a carga quando o forno e a máquina estão ligados, o que evita pagar mais potência o ano todo. Pode comparar tarifas já com os kWh anuais do carro somados ao consumo da casa.
O novo regime da rede pública
O Decreto-Lei n.º 93/2025 entrou em vigor em agosto de 2025 e mudou a forma de pagar na rua. Segundo a Mobi.E:
- É possível pagar de forma avulsa com cartão bancário, físico ou digital, através de um código QR, sem contrato prévio com um comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME).
- Os preços passam a ser apresentados em €/kWh, o que facilita comparar postos.
- Os contratos e cartões CEME continuam válidos na rede Mobi.E durante um período de transição até 31 de dezembro de 2027. A partir de 1 de janeiro de 2028 o modelo CEME acaba e surgem os prestadores de serviços de mobilidade elétrica.
No roaming da Zunder, por exemplo, a componente CEME aparecia a 0,220 €/kWh nas horas fora de vazio e 0,214 €/kWh no vazio, mais uma tarifa EGME de 0,13 euros por sessão.
Instalar o carregador em casa
Use um instalador certificado e peça o certificado da instalação. Numa moradia, normalmente basta um circuito dedicado a partir do quadro. Num prédio, informe a administração do condomínio por escrito antes da obra e combine como será contado o consumo, se o lugar de garagem não estiver ligado ao seu contador.
O aviso do Fundo Ambiental de 2025/2026 também apoiava carregadores (tipologia T7): 80 % do preço do posto até 800 euros, mais 80 % da instalação elétrica até 1 000 euros, com 278 incentivos disponíveis. Esse aviso já fechou.
Incentivos em 2026
O incentivo do Fundo Ambiental para veículos de emissões nulas (Mobilidade Verde Passageiros, 2.ª fase) deu 4 000 euros por carro elétrico novo a particulares, com preço máximo de 38 500 euros (55 000 euros para veículos de maior lotação) e abate obrigatório de um veículo a combustão com 10 anos ou mais. Havia 1 375 incentivos e as candidaturas decorreram de 11 de junho a 27 de julho de 2026. Não há, à data, um novo aviso aberto para particulares. Os elétricos continuam a ter vantagens fiscais próprias nos impostos automóveis; confirme-as com o vendedor.
Com painéis solares
Se tem painéis solares e o carro está em casa durante o dia, carregar ao sol é o uso mais rentável da produção, porque evita vender excedente barato e comprar energia cara. A calculadora solar ajuda a ver quanta produção sobra para o carro.
Erros a evitar
- Contar com a rede pública como carregador principal: a 0,59 €/kWh, os 100 km ficam perto dos 9 euros e a vantagem sobre um carro a gasolina eficiente encolhe para menos de metade.
- Ficar na tarifa simples com um elétrico em casa.
- Subir para 10,35 kVA quando um carregador com gestão dinâmica resolvia.
- Assinar uma oferta com fidelização de 12 meses mesmo antes de o carro chegar. O alerta de fim de contrato ajuda a escolher o momento.
Fontes
- ERSE: Tarifas e preços de eletricidade (tarifas transitórias em BTN a partir de 1 de outubro de 2026) (2026-09-15)
- DGEG: Preços médios dos combustíveis (precoscombustiveis.dgeg.gov.pt) (2026-09-27)
- Mobi.E: Novo regime jurídico da mobilidade elétrica (2026-09-28)
- Mobi.E: Custo do carregamento (2026-09-28)
- Zunder: Tarifários para utilizadores em Portugal (2026-09-28)
- Fundo Ambiental: Incentivo à aquisição de veículos de emissões nulas 2025/2026, Mobilidade Verde Passageiros (2.ª fase) (2026-09-28)
- ERSE: Novos períodos horários da eletricidade em Portugal continental (comunicado) (2026-07-31)
Factos verificados em 29 de setembro de 2026.